Meu nome? Não é necessário. Você só quer saber do que eu tenho pra falar.
Eu estava caminhando na praia, quando encontrei uma amiga que estudou comigo. Ela mudou bastante desde a ultima vez que nos vimos. Acompanhada do seu noivo, ela me chamou para visitá-los no final da tarde.
Aquela manhã me deixou com aquele cansaço de quem levou sol a manhã toda, que de fato foi! Mas, não deixei de visitá-la. Não poderia fazer isso com uma pessoa tão querida.
Fui muito bem recebido. Em sua varanda enorme, tinha uma mesa com 2 garrafas de vinho, um no gelo, já aberta, e outra fechada... assim que apareci pelo portão da casa, foi aquela festa...
- Vem rapaz, entra. A gente estava te esperando. - Falou o noivo dela.
Me sentei, cumprimentei a todos. Irmão, pai, mãe e a ela, claro. Assim que me sento, encheram uma taça de vinho e me deram. Não tinha música, mas muita comida e muita bebida que depois que as horas de conversa foram passando, foram aparecendo cada vez mais vinho. Eu já estava além do plano terrestre.
Colocamos todo asusnto em dia, falamos de nossas antigas amizades e assim a gente foi se divertindo. Não nos tocamos em nenhum momento, depois que nos cumprimentamos assim que cheguei.
Todos da mesa, depois de algumas horas foram se retirando quando chegou um momento em que seu noivo saiu para ir ao banheiro e então por poucos minutos ficamos a sós. O único momento daquele momento que já era noite, que ficamos a sós.
Ela estava linda. Loira, com seus grandes olhos castanhos e sua boca pálida, com lábios largos, não grossos. Sorriu para mim...
- Eu estava com saudade de você.
Sorri e apertei sua mão que estava sobre a mesa, mas não falei nada. Foi a única palavra que trocamos nesse período que estávamos sozinhos.
Seu noivo volta a mesa e continua o assunto de onde ele parou, assim que tinha saído da mesa. Ele estava falando coisas relacionadas a violência em shows de bandas bahianas. Eu estava até compartilhando opiniões, antes dele sair da mesa, mas quando ele voltou, eu estava só concordando e nem ouvia mas o que ele falava. Eu estava vidrado nela.
Assim que ele terminou de falar, eu pedi licença para ir ao banheiro. Fui, fiz o que tinha que fazer e voltei. Eles estavam calados, somente de braços dados. Voltei para meu lugar, sentado de frente para eles, com uma mesa nos dividindo e enquanto me ajeitava na cadeira, encostei no pé dela e não entendi o porque aquilo não me encomodou. Não tirei o pé de cima do pé dela. Nenhum momvimento suspeito, nenhuma má iniciativa. Começou como um acaso e deixei.
Ela não moveu o pé, passou bastante tempo com ele parado, sem mover, sem se mexer.
Minha taça já estava fazia já faziam uns 40 min... Ela se prestou a encher sem me consultar, e fazendo o movimento de pegar a garrafa e se curvar até minha taça que estava na beira da mesa, proxima a mim, ela tira seu pé do baixo do meu e volta para o lugar, na mesma posição, com o braço em volta do braço de seu noivo.
Aí estava um bom momento para eu pensar que fiz besteira, em encostar nela, de um modo "escondido".
Só que esse pensamento, antes de ter terminado, ele foi preenchido com um toque quente, e suave de seu pé sobre o meu. De uma forma nada sutile bastante eficaz, ela coloca seu pé sobre o meu, pressionando com carinho, sem fazer muitos movimentos, mas deixando bem claro o que estava fazendo.
Foi um susto. O melhor susto do mundo.
Não pude perder a oportunidade de massagear o pé dela com o meu. Beliscar seu calcanhar com meus dedos do pé.
Ela não é nem um pouco discreta. Estava na cara dela.
Sua respiração estava forte, mas de um jeito que eu conseguia notar. Sua boca pálida, começava a mostrar sinais de vermelhidão.
A pele branca revela tudo.
Vez ou outra ela passava a mão no rosto e eu notava pequenas mordiscadas no lábio inferior. Piscadas prolongadas... Olhadas inquietas para o lado...
Só Eu e Deus sabia o que ela estava pensando.
Quando vi que aquilo estava ficando forte demais, eu decidi partir. Aquilo, naquela situação, naquele ambiente, não daria certo. Ou melhor. Daria muito errado.
- Vou pra casa, tomar um banho. Esse vinho me deixou suando. He-he. Fazia tempo que não bebia tanto.
- Já? Mas está cedo. - Ela fala de uma maneira desesperada e dando tudo a perceber.
Desconversei e me despedi de seu noivo.
- Foi um prazer. A proxima reunião, eu que organizo.
- Ótimo! Não esqueça de comprar cerveja! - Falava gritando, de tão bebado que estava.
Aperto de mão, tapa forte no ombro e um Até Logo.
Ele foi recolhendo as coisas para levar para a cozinha, enquanto minha amiga me deixava no portão de sua casa.
- Ainda estou com saudades. - Ela me fala, assim que paramos na calçada.
Me viro pra ela, lhe dou um abraço
- Eu sempre tenho saudade de você. - Ela me aperta e solta todo o ar que tem em seu pulmão.
Lhe dou um beijo na bochecha, olho nos seus olhos durante 1 segundo e vou embora.